domingo, 22 de março de 2009

Final de 1996. Fim de casamento.

Doze anos casado. Uma filha, fora do casamento, minha eterna paixão. (*)

Está sendo difícil continuar a escrever, as lágrimas ainda insistem em correr pelo meu rosto, as mãos fraquejam. Ela está a meu lado encorajando-me. É presença imprescindível, porém minhas palavras estão molhadas, afogadas; a emoção impede, neste momento, a aproximação da razão. (*)

Preciso respirar um pouco. Sairei da frente do computador, irei à rua, sentarei à sombra da figueira e conversarei com Deus. Antes quero que você saiba que, quando eu utilizar o sinal do asterisco (*), estarei chorando.

Era necessário o divórcio, apesar de minha esposa e eu nos querermos bem. Não havia mais sexo nos últimos anos, nossa relação era fraterna.

O fim do casamento foi de comum acordo. Somos amigos até hoje.

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1990 a 2000. Minha filha, meu amor "além do amor".

Minha filha não tem nome. Está universalizada no sorriso sincero e puro de todas as crianças do mundo.

Não tenho fotos dela. Tenho imagens guardadas em minha alma e vejo-a em todos os momentos de seu crescimento. Ano após ano, em datas festivas, nos dodóis, os primeiros dentinhos, nas brincadeiras, nas cochiladas de seu corpinho em minha barriga... (*)

... a doença, o cansaço físico, a confirmação do mau, do infortúnio.

Idas a hospitais, internações, atendimentos de especialistas, remédios, injeções, orações, orações, orações... (*)

Desde 2000, ela é um anjinho, com dez anos completados em vida.

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