segunda-feira, 23 de março de 2009

1982 a 1996. Do namoro ao casamento.

Conheci minha ex-esposa em uma festa junina, promovida pelo colégio em que eu lecionava. É irmã de uma ex-aluna.

Na semana seguinte, eu já estava conhecendo seus pais e família, que me receberam muito bem.

Eu sempre sonhei em ter filhos. Fazíamos planos, como qualquer casal. Eu queria cinco filhos; ela, apenas três. O importante é que teríamos filhos.

Casamos em um sábado, 1984, às 11h da manhã. Nossa primeira noite foi em um hotel, na região da Avenida Paulista. No dia seguinte, cedo, viajamos a Portugal.

Vivemos um lindo caso de amor durante muito tempo até os anos tornarem rotina a vida de casal.

Nosso primeiro filho haveria de nascer dois anos após o casamento. Não nasceu. Ela iniciou sua carreira de Jornalista e, um filho, segundo ela, atrapalharia a sua ascensão profissional. Concordei com ela, embora triste.

E os anos se passaram. Quase não a via durante a semana em nossa casa. Apenas nas tardes de sábado e nos dias de domingo.

Em 1990, disse a ela que eu teria um filho com outra mulher.

-- Você me traiu, André?

-- Depende de que você entende por traição, Vera! No início de nosso casamento, mesmo com tudo já planejado anteriormente, acatei sua decisão de não ter filhos, em razão de seu emprego. Os anos se passaram e você continua não querendo filhos.

-- Mas eu nunca te traí, André! – disse, chorando.

-- É uma questão de ponto de vista. Eu fui traído por você.

-- Quem é a mulher? Eu a conheço?

-- Não! Vocês nunca se viram. Ela terá a nossa filha, dela e minha. E eu a criarei, quero participar de todos os momentos da vida dela.

-- Essa mulherzinha sabe que você é um homem casado?

-- Sabe.

-- Você morará com ela?

-- Não pretendo, mas estarei lá todos os dias e passarei algumas horas com minha filha.

-- Não quero essa criança aqui na nossa casa.

-- Está bem! Vamos nos divorciar, então. Minha filha virá a minha casa, que é dela também. Garanto que ela passará mais tempo aqui do que você em seis anos, Vera.

-- Vou à casa de meus pais contar o que fez comigo.

-- Ótima idéia!! Iremos juntos.

Sempre considerei meus sogros como meus pais. Ficaram tristes, porque lá no cantinho de suas almas queriam netos também. Abraçaram a filha, sorriram para mim e disseram que minha filha em casa deles sempre seria bem-vinda.

O coração gelado de minha ex-esposa despedaçou-se quando a menina nasceu. Foi registrada com o meu sobrenome e com o sobrenome de sua mãe: T.G.

O casamento ainda durou mais seis anos.

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