domingo, 26 de abril de 2009

O comboio.

Ao sair do estacionamento do hotel, deparei-me com toda a família do casal. Estavam lá desde às 7h30.

-- Gostou da surpresa, Sr. André? – perguntou-me o pai da Sra. Judite.

-- Estou surpreso e feliz, mas poderiam ter pedido que me chamassem.

-- A nossa ideia foi essa. Queríamos fazer-te uma supresa.

-- E conseguiram. Vamos todos ao convento? Quantos carros têm aqui?

-- Iremos em comboio até o convento e estacionaremos próximos à entrada. Só entrarão você, meu genro e minha filha. Quando vocês saírem com as crianças, os 11 carros, que estão aqui, seguirão em comboio até o cemitério.

-- Então a festa será no cemitério? – sorri.

-- Não! A festa será em um restaurante. Assim que vocês prestarem homenagens aos pais do Marquinhos, iremos todos a um restaurante próximo a São Vicente.

-- Puxa!! Não será cansativo a vocês? Entre o convento e o cemitério, pode demorar muito!

-- Queremos acompanhar nossos netos, ao menos vê-los de longe. Esperamos por isso há muito tempo. Ninguém conseguiu dormir de ontem para hoje.

-- Nem eu, Sr. João!

Abraçamo-nos emocionados. Depois de uma breve pausa, Sr. João pediu que todos entrassem em seus carros e seguissem ao convento.

No trajeto era só festa, buzinaço. Ao passar pelo Posto da Polícia Rodoviária, o carro, onde estavam o Sr. André e a Sra. Judite, foi parado por um policial. Como estava “puxando” a fila do comboio, todos pararam também. A estrada foi, imediatamente, bloqueada pelos policiais. Dois oficiais graduados, em seus uniformes de gala, atravessaram a pista na direção do carro do Sr. André, que já estava fora dele, sorrindo e acenando aos policiais. Entendi, então, que o Sr. André também era policial rodoviário.

Enquanto eles conversavam mais à frente, Sr. João foi até meu carro, falar comigo.

-- Está estranhando tudo isso, Sr. André?

-- O seu genro é policial rodoviário?

Estufou o peito e disse-me:

-- Sim! Somos uma família de policiais rodoviários. Os dois oficiais, que estão conversando com meu genro, guiarão, com suas motos, o comboio, a partir de agora e até o fim, lá no restaurante.

-- Sabe, Sr. João, quando eu entrei na sala do convento para conversar com eles, o seu genro disse que me conhecia de algum lugar. Eu respondi a ele que eu tive a mesma impressão.

-- Ele contou-nos isso. Mas de onde será que vocês se conhecem? Vai ver que ele já te multou e, no mínimo, você deve tê-lo xingado!! – disse, rindo muito.

-- Provavelmente tenha sido isso! – ri também.

Os policiais, com suas motos, posicionaram-se à frente do comboio e seguimos ao convento, provocando a curiosidade de todos que nos ultrapassavam pela pista da esquerda da rodovia.

Haviam preparado uma linda festa aos pequenos.


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