Neblina, Serra do Mar, Via Anchieta
Em uma manhã nevoenta e fria de final de junho, no começo da “descida” na Serra do Mar, trecho sinuoso da Via Anchieta até a Baixada Santista, houve um acidente, envolvendo automóveis e caminhões.
Os motoristas de outros veículos que vinham atrás mal enxergavam a ponta de seu próprio nariz, tal era a neblina no trecho. Quando se deparavam com o enorme acidente, de forma repentina, acionavam o breque de seus carros, provocando outros acidentes. A narração e a descrição que seguem, abaixo, é de um deles.
-- Eu não perdi minha vida, porque saí rapidamente do carro e atirei-me no mato. De lá, com o coração acelerado, eu via toda a cena de horror e ouvia sons de batida, estrada acima. Vi quando chegou a primeira viatura da polícia rodoviária. Acreditei que, naquele momento, outras viaturas já estivessem bloqueando a estrada. Dois policiais saíram da viatura e foram prestar os primeiros socorros às vítimas. Eu saí do mato, com as pernas tremendo, e já me dirigia ao local do enorme acidente, a fim de ajudar também. De repente, um automóvel desgovernado, batendo na grade de proteção da via e rodopiando, atropelou um dos policiais, lançando-o à frente e passando por cima do corpo, matando-o. Senti-me impotente, medroso, não conseguindo, inclusive, voltar para onde eu estava. Fiquei entre a faixa do acostamento e a pista. O desespero tomou conta de todos que lá estavam. Alguns, fora de seus carros, tentando salvar seus parentes e amigos, implorando ajuda; outros, dentro carro, chorando e gritando de dor. De repente, um vulto rápido e assustador passou pertíssimo de mim: era um motociclista que, ao me ver, desviou-se a tempo, não conseguindo fazer o mesmo mais à frente. Atropelou duas pessoas que estavam na pista. O horror estava instalado. Foram apenas minutos violentos e sangrentos de que, tenho certeza, durarão para o resto de minha vida.
Quase cinco dezenas de feridos. Em hospitais da Baixada, morreram 6 pessoas; na estrada, oito; entre eles, o policial rodoviário André, durante o cumprimento de seu dever.
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Em uma manhã nevoenta e fria de final de junho, no começo da “descida” na Serra do Mar, trecho sinuoso da Via Anchieta até a Baixada Santista, houve um acidente, envolvendo automóveis e caminhões.
Os motoristas de outros veículos que vinham atrás mal enxergavam a ponta de seu próprio nariz, tal era a neblina no trecho. Quando se deparavam com o enorme acidente, de forma repentina, acionavam o breque de seus carros, provocando outros acidentes. A narração e a descrição que seguem, abaixo, é de um deles.
-- Eu não perdi minha vida, porque saí rapidamente do carro e atirei-me no mato. De lá, com o coração acelerado, eu via toda a cena de horror e ouvia sons de batida, estrada acima. Vi quando chegou a primeira viatura da polícia rodoviária. Acreditei que, naquele momento, outras viaturas já estivessem bloqueando a estrada. Dois policiais saíram da viatura e foram prestar os primeiros socorros às vítimas. Eu saí do mato, com as pernas tremendo, e já me dirigia ao local do enorme acidente, a fim de ajudar também. De repente, um automóvel desgovernado, batendo na grade de proteção da via e rodopiando, atropelou um dos policiais, lançando-o à frente e passando por cima do corpo, matando-o. Senti-me impotente, medroso, não conseguindo, inclusive, voltar para onde eu estava. Fiquei entre a faixa do acostamento e a pista. O desespero tomou conta de todos que lá estavam. Alguns, fora de seus carros, tentando salvar seus parentes e amigos, implorando ajuda; outros, dentro carro, chorando e gritando de dor. De repente, um vulto rápido e assustador passou pertíssimo de mim: era um motociclista que, ao me ver, desviou-se a tempo, não conseguindo fazer o mesmo mais à frente. Atropelou duas pessoas que estavam na pista. O horror estava instalado. Foram apenas minutos violentos e sangrentos de que, tenho certeza, durarão para o resto de minha vida.
Quase cinco dezenas de feridos. Em hospitais da Baixada, morreram 6 pessoas; na estrada, oito; entre eles, o policial rodoviário André, durante o cumprimento de seu dever.
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