domingo, 10 de maio de 2009

Tudo é questão de...

Existem pessoas, em outro país, que comem carne de cachorro. Para nós, brasileiros, é inconcebível uma coisa dessa. Entretanto, para eles, é uma questão de cultura.

Aqui em São Paulo, como em muitos outros estados, há pessoas que comem churrasquinho de gato e ainda aproveitam o couro do animal para revestir o tamborim. Contudo, é uma questão de sobrevivência e diversão. Sobrevivência, porque gato tem em qualquer lugar; os aproveitadores, ditos espertos, os caçam, matam, temperam a carne e vendem em forma de churrasco, em portas de botecos da periferia, acompanhado de muito samba e toques de tamborim. E todos comem gato por alcatra e divertem-se.

Há uma companhia aérea chamada Pet Airways, especializada em transporte “executivo” de animais de estimação. É uma questão de inversão de valores.

Em muitos países, a água é escassa. É um produto caro; logo, há de ter-se consciência em usá-la. É uma questão de bom senso. No sertão brasileiro, onde a água é escassa também, prevalece o mercado negro e a falta de interesse de seus governos. É uma questão de corrupção e “coronelismos”.

Em São Paulo, adolescentes ficam embaixo da água corrente do chuveiro por mais de 60 minutos e, ainda assim, saem de lá e deixam a toalha suja. É uma questão de desperdício, de falta de respeito com o planeta, de má-educação.

Em alguns países, homens e mulheres só se conhecem no dia de seus casamentos. As famílias dos “noivos” combinam o destino de seus filhos. É uma questão de cultura e reprodução.

Aqui, no Brasil, essa ideia causa repugnância, porque, segundo a maioria, não se pode casar sem amor. No entanto, em grandes capitais é comum um ilustre (jogador de futebol, ator, atriz) casar-se e, dias após, separar-se. É uma questão de prepotência, de brilho nos meios sociais; certamente, sabe que será convidado a se hospedar na Ilha de Caras, sem que seja preciso ficar com a de bunda. Tornou-se tão normal isso, que os fãs, geralmente pobres, ficam torcendo por um novo amor de seu ídolo. É uma questão de pobreza cultural.

Em alguns países da Velha Europa, não se pode fumar em locais públicos. Carteiras (maços) de cigarros são vendidas apenas em Tabacarias e são caríssimas. Só fuma quem pode sustentar o vício. É uma questão de cultura, porque a educação oferecida em escolas públicas é de qualidade e milenar.

Em São Paulo, daqui a 90 dias, não se poderá fumar em lugares públicos, fechados. Apenas na rua e em casa. É uma questão de ignorância governamental, porque não temos uma educação de qualidade em nossas escolas públicas.

Recentemente, professores tentaram uma audiência com o governador que, mais uma vez, repetindo atitudes de Mário Covas, não os recebeu, como também não recebeu os policiais civis, em sua reivindicação justa por salários melhores. É uma questão de esperteza: tira-se do funcionário público para acrescentar no “mísero” jetom de nossos políticos. E continuamos votando neles. É uma questão de burrice.

Tudo é uma questão de ignorância.

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