sábado, 2 de maio de 2009

Férias de Verão.

Os meses de dezembro e janeiro sempre contagiaram minha turma. No último mês do ano, reunimo-nos em uma tradicional churrascaria, dias antes do Natal, para a confraternização de uma amizade selada nos happy hours, que fizemos durante o ano. Em janeiro, alguém deu com a idéia (acho que foi o Luciano Pimenta) de jogar bola e andar de bicicleta.

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Ano passado, resolvemos descer e, depois de um dia de descanso, subir a estrada velha de Santos...a pé. Na metade da descida, todos os pernilongos, muriçocas e outros insetos já haviam sugado boa parte do sangue de cada um.

Durante a descida, Nardinho telefonou à locadora de veículos Transgala e contratou uma Van especial, que nos trouxesse de volta a São Paulo.

Além dos ferimentos, provocados pelas picadas dos insetos, tínhamos os pés inchados e cheio de bolhas. Não voltaríamos a pé de jeito nenhum.

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A quadra de futebol está localizada a 6km daqui. Deixaríamos os carros em casa e iríamos de bicicleta.

Cada um com sua "bike". À noite. Cada um com sua mochilinha. O primeiro quilômetro foi tranquilo; o segundo, uma leve descida e mais um retão pela frente.

O problema foi a partir do quinto quilômetro: subida, subida, subida... todos a pé, carregando a bicicleta. No topo, decidimos parar numa lanchonete pra recuperarmos as forças. Todos bebemos água. Cerveja estava proibido. Afinal, estávamos dispostos a perder a barriga.

Voltamos ao selim.

A quadra, como diz o mineiro, estava logo ali. Mas tinha a mais brava subida.

Eu já estava sentindo muita dor na panturrilha; dois colegas sofrem de dores na coluna... já estavam arrependidos de estarem ali; um outro, ao subir na bicicleta e tentar pedalar, levou um tombo. E do jeito que caiu, ficou. Quatro "simularam" que a corrente do pedal havia saído do lugar. Outros diziam que o capacete estava incomodando. Outro esvaziou a mochila, porque achava que haviam colocado pedra, porque estava muito pesada.

Na verdade, todos queriam voltar, inclusive eu. Fizemos uma breve reunião de olhares. Quem estava de acordo a voltar, que fechasse um olho. Foi uma ação difícil, mas todos conseguiram.

E voltamos, quinto quilômetro ladeira abaixo; quarto, retão, pedalando; terceiro, segundo, e primeiro, empurrando a bicicleta.. a pé. Chegamos e fomos ao nosso pit stop, ao nosso happy end, tomar um chopinho.

Ninguém se atrevia a comentar. Aqueles dois do problema na coluna deitaram-se no chão. Nem sei que fim levaram. Voltei pra casa.

No dia seguinte, acordei e não conseguia sair da cama. Estava doendo tudo, até os dedos das mãos, de tanto acionar o breque daquela coisa de duas rodas.

Voltamos a nos encontrar duas semanas depois, totalmente restabelecidos. Não foi feito sequer um comentário a respeito da performance física e psicológica de cada um.

-- Gente! Precisamos resolver uma coisa muito importante. – disse Neneco – Fizemos a locação da quadra e o pagamento adiantado, por três meses. Não podemos perder esse dinheiro. Que vocês acham? Poderíamos ir até lá com os nossos carros e jogar bola.

-- André, acho que comprarei uma Scooter!

-- Que legal, Deley! Mas o que é Scooter? – perguntei, surpreso.

-- Scooter é uma lambretinha. – respondeu Luciano Pimenta.

-- Está a fim de morrer, Deley? – perguntou Tatá, rindo.

-- Já tive moto. A Scooter não é muito diferente. Tem bom preço, é econômica, o ideal no trânsito de São Paulo.

-- Turmaaaaaa!! E a quadra, como é que fica, heim?

-- Neneco, vá à merda!! – disse Nardinho, irritado.

-- Ontem, fiz uma boa ação. Presenteei uma criança carente.

-- E o que você deu a ela, Porfírio? – perguntou Nelsão.

-- A bicicleta que ainda estou pagando o carnê. – respondeu Porfírio, fuzilando Neneco com o olhar.

-- Não me apareça aqui com essa Scooter, Deley!! Iremos esconder as chaves, para você ir embora a pé. – ameaçou Nelsão.

Nelsão tinha razão. Achamos loucura do Deley comprar uma lambreta. O trânsito de São Paulo é muito perigoso.

Na noite seguinte, Deley chegou ao happy hour de Scooter, acompanhado de Porfírio, com sua Halley Davidson.

-- Ela é bonitinha, Deley!!

-- E econômica, André!

-- Se você não cair até a metade do ano, comprarei uma dessa também. – brinquei, rindo muito.

-- Turmaaaaa!! E a quadra? – insistiu Neneco.

Sendo o segundo mais jovem da turma, é certo que ele queria nosso bem. Um exercício físico torna-se dolorido nos dias seguintes, mas se houver persistência e vontade para continuar, certamente, ficaríamos mais saudáveis.

A média de idade de nossa turma é de 49 anos. Neneco tem 40. Está sempre procurando uma aventura que nos divirta, que nos faça esquecer dos problemas diários.

Compreendemos isso, mas nossas últimas experiências esportivas não foram nada agradáveis. Então, combinamos que, quando ele insistisse numa outra atividade, mudaríamos o assunto.

-- Poderíamos acampar em Boracéia, no próximo feriado prolongado.

-- Excelente ideia, Nelsão! – animou-se Neneco – O melhor acampamento é aquele que se faz no meio do mato. Levaremos enxadas e capinaremos a área para montarmos as barracas.

-- Detesto acampamentos!! Vou para um hotel. O que acha, André?

-- Ótima idéia, Tatá.

-- Além do conforto, teremos todas as comodidades. Tô nessa!! – ratificou Luciano Pimenta.

O restante da turma aprovou. Iríamos, então, a um hotel.


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