sábado, 4 de abril de 2009

A praia - II

Depois de cavar alguns buracos na areia e fazer alguns castelinhos, deitei-me exausto na areia. Fefê chegou bem devagar a meu lado e pulou, caindo sentada em minha barriga.
-- Uffffffffffffffffffff!!
-- (gargalhadas)
Eu já tinha visto aquela cena. Embora não quisesse fazer comparações, foi impossível naquele momento não me lembrar de minha filha. Ela sempre fazia isso comigo.
Fefê é uma menina linda. Mulata, cabelos lisos, olhos radiantes, esperta.
-- Quéio mio quente.
-- Milho quente?
-- É.
-- Eu também quero, tio.
Foi um alívio quando me pediram milho quente. Se ela desse mais um pulo, meu de-dentro seria cuspido para fora.
Os três comemos milho quente com refrigerante.
Depois, a madre veio buscá-los.
-- Eles te deram muito trabalho?
-- Nenhum, irmã. Divertimo-nos muito.
-- Nós iremos embora agora.
Senti vontade de chorar.
-- Por que o senhor não nos faz uma visita no convento? Poderá passar um dia de domingo inteirinho com eles e com as outras crianças. É só telefonar e agendar a visita.
Deu-me o telefone.
-- Vocês trazem sempre as crianças à praia?
-- No próximo domingo, virão as crianças maiores. Se houver sol, viremos daqui a quinze dias.
-- Posso me despedir deles?
-- Lógico, senhor!
Afastei-me um pouco com os dois e sentamos na areia.
-- Titio, faz uma visita para nós no convento.
-- Eu farei, Marquinhos. No próximo domingo, estarei lá. Quero que se cuide, que se alimente bem, e que cuide direitinho de sua irmãzinha.
-- Ela não é minha irmã, titio!
-- Não é a sua irmã?
-- Não, titio! Eu cuido dela porque ela é muito fofinha.
-- Isso mesmo, Marquinhos!! Continue cuidando dela.
Enquanto conversava com aquele maravilhoso menino, Fefê, atrás de mim, me abraçou o pescoço, quase me sufocando. Peguei-a com o braço, sentando-a em minha perna direita. Marquinhos sentou-se naturalmente em minha perna esquerda.
-- Fefê, vocês devem voltar ao convento agora. Titio também precisa ir embora, descansar para trabalhar amanhã. Quero que você se comporte durante a semana, que estude, que respeite o Marquinhos, e que não coma porcaria, tá?
Respondeu-me com um forte abraço e com sua face em meu rosto. Marquinhos fez o mesmo com a outra face. Engoli seco o sentimento de amor transmitido.
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