Um herói
André foi sepultado com todas as honras militares.
Marquinhos fez questão de estar no velório e acompanhar a homenagem, no cemitério. Chorou, apenas, por estar neste lugar. Assim que o último tostão de terra foi lançado pela pá, ajoelhou-se e rezou, chorando, pedindo a Deus que desculpasse seu pai e que o tivesse em Seus Braços.
(*)
Sr. João tentou recolhê-lo em seu colo, mas o pequeno levantou-se e abriu os bracinhos para mim:
-- Titio!
-- Vem, meu amor!
(*)
.....................
(Vou até ali na área, respirar um pouco)
....................
Sr. Abílio não foi ao enterro. Esteve no velório, visivelmente sob efeitos de remédios, amparado pela família. Do lado do corpo de seu filho, fez um discurso, emocionado.
-- Filho! Querido e amado por sua mãe e por seu pai. Talvez se eu não fosse tão rígido, teria você a meu lado hoje, e eu, como seu orgulho. Eu errei em sua educação, não o criei como criança, não respeitei seus momentos infantis. Tentei educá-lo da forma que meu pai me educou, mas me esqueci de que o tempo não para. As tecnologias avançam a cada segundo, e a educação acompanha-as nesse ritmo frenético. Que adiantam palavras de arrependimento se não o terei de volta? Pois bem, filho! Aqui, curvado a seu corpo, e ajoelhado diante de sua alma, eu lhe prometo que não haverá mais acidentes em dias nevoentos. Nossos colegas de farda voltarão todos os dias a suas casas, depois de cumprirem sua missão; nosso povo viajará tranquilo por nossas estradas, em qualquer época do ano.
Um mês depois do trágico acidente, a polícia rodoviária estadual iniciou a “operação descida”, em dias nevoentos. Em determinados horários, os automóveis eram parados no pedágio e seguiam viagem em comboio, tendo à frente viaturas da Polícia Rodoviária.
Sr. Abílio foi homenageado pela Corporação e pelo Governo do Estado, dez dias antes de sua morte. Reduziu em 98% os acidentes nas rodovias, em dias de neblina.
Em seu leito de morte, com um sorriso vitorioso nos lábios, pediu que colocassem, sentado Marquinhos, em sua barriga. Cochichou algo no ouvido dele e descansou a cabeça no colo de Deus.
Um herói, Sr. Abílio! O senhor é, indubitavelmente, um herói.
XXXXXXXXXXXX
André foi sepultado com todas as honras militares.
Marquinhos fez questão de estar no velório e acompanhar a homenagem, no cemitério. Chorou, apenas, por estar neste lugar. Assim que o último tostão de terra foi lançado pela pá, ajoelhou-se e rezou, chorando, pedindo a Deus que desculpasse seu pai e que o tivesse em Seus Braços.
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Sr. João tentou recolhê-lo em seu colo, mas o pequeno levantou-se e abriu os bracinhos para mim:
-- Titio!
-- Vem, meu amor!
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(Vou até ali na área, respirar um pouco)
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Sr. Abílio não foi ao enterro. Esteve no velório, visivelmente sob efeitos de remédios, amparado pela família. Do lado do corpo de seu filho, fez um discurso, emocionado.
-- Filho! Querido e amado por sua mãe e por seu pai. Talvez se eu não fosse tão rígido, teria você a meu lado hoje, e eu, como seu orgulho. Eu errei em sua educação, não o criei como criança, não respeitei seus momentos infantis. Tentei educá-lo da forma que meu pai me educou, mas me esqueci de que o tempo não para. As tecnologias avançam a cada segundo, e a educação acompanha-as nesse ritmo frenético. Que adiantam palavras de arrependimento se não o terei de volta? Pois bem, filho! Aqui, curvado a seu corpo, e ajoelhado diante de sua alma, eu lhe prometo que não haverá mais acidentes em dias nevoentos. Nossos colegas de farda voltarão todos os dias a suas casas, depois de cumprirem sua missão; nosso povo viajará tranquilo por nossas estradas, em qualquer época do ano.
Um mês depois do trágico acidente, a polícia rodoviária estadual iniciou a “operação descida”, em dias nevoentos. Em determinados horários, os automóveis eram parados no pedágio e seguiam viagem em comboio, tendo à frente viaturas da Polícia Rodoviária.
Sr. Abílio foi homenageado pela Corporação e pelo Governo do Estado, dez dias antes de sua morte. Reduziu em 98% os acidentes nas rodovias, em dias de neblina.
Em seu leito de morte, com um sorriso vitorioso nos lábios, pediu que colocassem, sentado Marquinhos, em sua barriga. Cochichou algo no ouvido dele e descansou a cabeça no colo de Deus.
Um herói, Sr. Abílio! O senhor é, indubitavelmente, um herói.
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