Do cemitério à confraternização
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Antes de sairmos do cemitério, os homens fomos conversar com o Sr. Agenor. Queríamos uma sepultura razoável, um túmulo, com três urnas, em homenagem à família de Marquinhos. Demos-lhe um sinal em dinheiro e durante a construção da última morada pagaríamos o restante.
E assim foi, até a transferência dos ossos das covas rasas para o eterno descanso. Não fui nessa última fase. Foram o Srs. André, Abílio e João. Estive presente à missa, diante da sepultura. Marquinhos ficou tão emocionado que, num gesto de carinho, abriu seus bracinhos para abraçar a lápide.
-- Eu amo vocês!
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Machado de Assis, grande escritor brasileiro, maior orador da língua portuguesa, fundador da ABL – Associação Brasileira de Letras --, escreveu: “O menino é o pai do homem”.
Todos, homens e mulheres, já fomos crianças. É na infância que criamos bons hábitos, através de ensinamentos de nossos pais e famílias, de professores, de amigos. E crescemos instruídos e educados, e tornamo-nos homens e mulheres, com nossos ideais. A educação que recebemos na infância servirá de exemplo na idade adulta.
Novamente, todos na rodovia, em direção a São Vicente, que já estava próxima. Ao passarmos por outro posto policial, outras motos e viaturas se juntaram ao comboio. Nem o Príncipe Charles teve tanta homenagem!!
Chegamos ao restaurante com muita festa. Os policiais motorizados, oito, posicionaram-se em duas filas, acompanhados de duas viaturas de cada lado, formando um corredor, por onde passaram o casal, as crianças e os avôs. Os primos lançaram rojões. Fefê e Marquinhos iam pulando, de tão felizes que estavam.
A festa se estendeu até meia-noite. Nesse período, poucas foram as vezes que fiquei com os meus pequenos. Mas eu não os perdia de vista. Mesmo dançando, eu errava os passos, só para acompanhar cada movimento deles. Quem não gostava disso eram as moças com quem eu bailava.
-- Você está com algum problema, André? – perguntou-me uma das primas do casal..
-- Não!! Estou bem! Por quê?
-- Porque eu acho que você não sabe dançar. Já pisou no meu pé duas vezes.
-- Ahhh!! Eu fiz isso? Me desculpa, tá?
-- Você é gay, André?
-- Por que me pergunta isso?
-- Porque estou a fim de ficar com você, e você nem tchum!
-- Ah, tá!! Hoje eu não estou a fim...
Aproximou sua boca em meu ouvido e disse-me:
-- Sua bichona!
E largou-me sozinho no salão.
Mas que malcriada!!
-- Que tanto você olha sobre meu ombro? – perguntou-me a irmã da Sra. Judite.
-- Estou tentando ver as crianças.
-- Daria para você prestar atenção em mim?
-- Estou prestando. Pode falar!
Ela também largou-me no meio do salão.
Que família estressada!!
Quase no fim da noite, fui me despedir das crianças. A Fefê já estava sonolenta; o Marquinhos, eufórico. Peguei-a no colo, fi-la dormir, beijei-lhe o rosto e coloquei-a no colo da mãe. Marquinhos, Srs. André, João e Abílio me acompanharam até o carro. Pedi-lhes que me deixassem a sós com Marquinhos, por alguns minutos.
-- Quero que você me prometa uma coisa: que sempre será este menino educado e carinhoso. Quero que você estude bastante e que ajude a Fefê na escola, sempre que ela precisar de auxílio nas tarefas escolares. Que obedeça a seus pais, seus avós e a família inteira.
Respondeu-me com um forte abraço, demorado, sincero. Depois, beijou-me o rosto, pediu-me à bênção e (*)
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