quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os sonhos se realizam – II

Dois meses depois que saímos do Guarujá, recebi um telefonema em minha casa.

-- Sr. André!

-- Olá, Sra. Judite! Estão todos bem aí? A Fefê e o Marquinhos estão bem também?

-- Sim, eles estão com muitas saudades do senhor e de seus pais.

-- Nós também estamos, Sra. Judite.

-- O meu marido viajou ontem e ficará uma semana em Brasília. Por que não traz seus pais aqui.

-- Isso poderá trazer consequências ruins à senhora.

-- O convite não é só meu, Sr. André. Nossos pais estão de acordo também. Eles tiveram uma discussão assim que vocês saíram daqui naquela noite, e a relação entre nós está muito abalada ainda. Ficaria imensamente grata se o senhor trouxesse seus pais aqui.

-- Obrigado, Sra. Judite! Reservarei quartos no Hotel da Orla. É lá que nos hospedaremos e é lá que eu gostaria de receber as crianças, a senhora, e vossos pais.

-- Quando pretendem vir?

-- Amanhã, estaremos por aí.

-- Avisarei meus pais e meus sogros. Eles ficarão muito felizes.

-- Obrigado, e até amanhã, então. Assim que chegarmos, telefonarei à senhora.

-- Está bem, Sr. André! Até amanhã!

Chorei. Peguei o telefone várias vezes para comunicar a meus pais, mas desisti. Fui à casa deles e dei a boa-nova ao vivo e em cores.

-- Mãe e pai! Amanhã vamos visitar as crianças e ficar com eles até segunda-feira.

-- Ai, Meu Deus!! – gritou alegremente minha mãe – Eu estava sentindo que alguma coisa boa ia acontecer.

-- Amanhã, passarei logo após o almoço. Ficaremos no Hotel da Orla.

-- Sim, filho! É bom não darmos trabalho a ninguém e, além do mais, teremos mais liberdade.

-- Essa é a ideia! Vou ao shopping comprar uns presentinhos para eles.

-- Vá sim, filho!

-- Querem vir comigo?

-- Não, filho! Prefiro ficar aqui, arrumando as malas.

Dei um beijinho nos dois.

-- Até amanhã!

Passeei, feliz, pelo shopping (coisa rara, porque não gosto de shoppings). Cada presente que comprava, enxergava o rostinho feliz de cada um. Levei as compras para o carro e fui embora.

Como já era final de tarde, resolvi passar no restaurante para o happy hour com a turma.

-- Que cara de bobão é essa, André? – perguntou-me Tatá.

-- Amanhã meus pais e eu iremos visitar meus pequenos.

-- Cara!! Que legal!

-- O seu xará permitiu, André? – perguntou-me seriamente Deley.

-- Não exatamente. Ele viajou. O convite partiu dos pais deles e a Sra. Judite me comunicou, por telefone.

-- Então, tome cuidado, André!

-- Ué! Por que devo tomar cuidado, Deley?

-- Porque ele pode ter armado alguma pra você.

-- Está pressentindo algo, Deley? -- perguntou-lhe Tatá, preocupado.

-- Assim que vi você estacionando o carro, enxerguei uma imagem. Quem estará no carro com você, além de seus pais?

-- Apenas nós três, Deley!

-- Haverá mais alguém dentro do carro.

Entrou em transe, ali mesmo à mesa do restaurante. Depois, ergueu os olhos e me disse que eu seria parado na estrada e um homem entraria no carro. Fiquei assustado. Eu não colocaria em risco meus pais. Deley pressentiu.

-- Descreva o homem, Deley! – pediu Tatá.

-- É um policial rodoviário, moreno, baixo. Você dará carona a ele assim que passar pelo pedágio da Imigrantes. Seu carro será parado por policias rodoviários, que pedirão a você que dê uma carona a esse homem até o Guarujá. Sua reação será imediata, André, dizendo aos policiais que o seu destino não é o Guarujá. Eles insistirão porque sabem quem é você.

Abaixou novamente os olhos e, depois de alguns segundos, reergueu-os novamente e completou:

-- Troque de carro com sua irmã ou vão de ônibus, que nada disso ocorrerá.

-- É isso, André! Troque de carro com sua irmã. Deixe o seu com ela e vá com o dela ao Guarujá. – disse-me Tatá.

Deley voltou do transe.

-- O que decidiu, André? – perguntou-me.

Peguei o telefone e liguei para minha irmã. Expliquei-lhe o motivo e ela aceitou fazer a troca.

-- Farei a troca, Deley!! Muito obrigado, meu amigos!!

Despedi-me deles, levantei-me e fui embora. Na manhã seguinte, fiz as trocas de carro, com os presentes e mala de viagem.

Às 13h, eu já estava na casa dos meus pais. Quando viu o carro da filha, meu pai perguntou o motivo.

-- Meu carro está falhando a partida. Troquei com ela, para não perdermos essa chance de ficar com os pequenos. Ela pedirá ao mecânico para verificar o carro e consertá-lo.

-- Tive um pesadelo essa noite.

-- O que sonhou, mãe?

-- Sonhei que fomos parados pelos policiais rodoviários, logo depois do pedágio. E eles não nos deixaram seguir viagem.

Arrepiei-me. Minha mãe é médium e morre de medo de desenvolver-se espiritualmente. Às vezes, tem bons pressentimentos, mas tem ruins também.

-- Nada de ruim acontecerá, mãe! Ajeite-se aí e durma um pouquinho. Quando acordar, já estaremos à porta do hotel.

Assim que passamos o pedágio, vi, do lado direito, no acostamento, três policiais acenando para um carro, idêntico ao meu. Um deles era moreno e baixo.

Chegamos ao Guarujá.

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