Os sonhos se realizam – II
Dois meses depois que saímos do Guarujá, recebi um telefonema em minha casa.
-- Sr. André!
-- Olá, Sra. Judite! Estão todos bem aí? A Fefê e o Marquinhos estão bem também?
-- Sim, eles estão com muitas saudades do senhor e de seus pais.
-- Nós também estamos, Sra. Judite.
-- O meu marido viajou ontem e ficará uma semana em Brasília. Por que não traz seus pais aqui.
-- Isso poderá trazer consequências ruins à senhora.
-- O convite não é só meu, Sr. André. Nossos pais estão de acordo também. Eles tiveram uma discussão assim que vocês saíram daqui naquela noite, e a relação entre nós está muito abalada ainda. Ficaria imensamente grata se o senhor trouxesse seus pais aqui.
-- Obrigado, Sra. Judite! Reservarei quartos no Hotel da Orla. É lá que nos hospedaremos e é lá que eu gostaria de receber as crianças, a senhora, e vossos pais.
-- Quando pretendem vir?
-- Amanhã, estaremos por aí.
-- Avisarei meus pais e meus sogros. Eles ficarão muito felizes.
-- Obrigado, e até amanhã, então. Assim que chegarmos, telefonarei à senhora.
-- Está bem, Sr. André! Até amanhã!
Chorei. Peguei o telefone várias vezes para comunicar a meus pais, mas desisti. Fui à casa deles e dei a boa-nova ao vivo e em cores.
-- Mãe e pai! Amanhã vamos visitar as crianças e ficar com eles até segunda-feira.
-- Ai, Meu Deus!! – gritou alegremente minha mãe – Eu estava sentindo que alguma coisa boa ia acontecer.
-- Amanhã, passarei logo após o almoço. Ficaremos no Hotel da Orla.
-- Sim, filho! É bom não darmos trabalho a ninguém e, além do mais, teremos mais liberdade.
-- Essa é a ideia! Vou ao shopping comprar uns presentinhos para eles.
-- Vá sim, filho!
-- Querem vir comigo?
-- Não, filho! Prefiro ficar aqui, arrumando as malas.
Dei um beijinho nos dois.
-- Até amanhã!
Passeei, feliz, pelo shopping (coisa rara, porque não gosto de shoppings). Cada presente que comprava, enxergava o rostinho feliz de cada um. Levei as compras para o carro e fui embora.
Como já era final de tarde, resolvi passar no restaurante para o happy hour com a turma.
-- Que cara de bobão é essa, André? – perguntou-me Tatá.
-- Amanhã meus pais e eu iremos visitar meus pequenos.
-- Cara!! Que legal!
-- O seu xará permitiu, André? – perguntou-me seriamente Deley.
-- Não exatamente. Ele viajou. O convite partiu dos pais deles e a Sra. Judite me comunicou, por telefone.
-- Então, tome cuidado, André!
-- Ué! Por que devo tomar cuidado, Deley?
-- Porque ele pode ter armado alguma pra você.
-- Está pressentindo algo, Deley? -- perguntou-lhe Tatá, preocupado.
-- Assim que vi você estacionando o carro, enxerguei uma imagem. Quem estará no carro com você, além de seus pais?
-- Apenas nós três, Deley!
-- Haverá mais alguém dentro do carro.
Entrou em transe, ali mesmo à mesa do restaurante. Depois, ergueu os olhos e me disse que eu seria parado na estrada e um homem entraria no carro. Fiquei assustado. Eu não colocaria em risco meus pais. Deley pressentiu.
-- Descreva o homem, Deley! – pediu Tatá.
-- É um policial rodoviário, moreno, baixo. Você dará carona a ele assim que passar pelo pedágio da Imigrantes. Seu carro será parado por policias rodoviários, que pedirão a você que dê uma carona a esse homem até o Guarujá. Sua reação será imediata, André, dizendo aos policiais que o seu destino não é o Guarujá. Eles insistirão porque sabem quem é você.
Abaixou novamente os olhos e, depois de alguns segundos, reergueu-os novamente e completou:
-- Troque de carro com sua irmã ou vão de ônibus, que nada disso ocorrerá.
-- É isso, André! Troque de carro com sua irmã. Deixe o seu com ela e vá com o dela ao Guarujá. – disse-me Tatá.
Deley voltou do transe.
-- O que decidiu, André? – perguntou-me.
Peguei o telefone e liguei para minha irmã. Expliquei-lhe o motivo e ela aceitou fazer a troca.
-- Farei a troca, Deley!! Muito obrigado, meu amigos!!
Despedi-me deles, levantei-me e fui embora. Na manhã seguinte, fiz as trocas de carro, com os presentes e mala de viagem.
Às 13h, eu já estava na casa dos meus pais. Quando viu o carro da filha, meu pai perguntou o motivo.
-- Meu carro está falhando a partida. Troquei com ela, para não perdermos essa chance de ficar com os pequenos. Ela pedirá ao mecânico para verificar o carro e consertá-lo.
-- Tive um pesadelo essa noite.
-- O que sonhou, mãe?
-- Sonhei que fomos parados pelos policiais rodoviários, logo depois do pedágio. E eles não nos deixaram seguir viagem.
Arrepiei-me. Minha mãe é médium e morre de medo de desenvolver-se espiritualmente. Às vezes, tem bons pressentimentos, mas tem ruins também.
-- Nada de ruim acontecerá, mãe! Ajeite-se aí e durma um pouquinho. Quando acordar, já estaremos à porta do hotel.
Assim que passamos o pedágio, vi, do lado direito, no acostamento, três policiais acenando para um carro, idêntico ao meu. Um deles era moreno e baixo.
Chegamos ao Guarujá.
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Dois meses depois que saímos do Guarujá, recebi um telefonema em minha casa.
-- Sr. André!
-- Olá, Sra. Judite! Estão todos bem aí? A Fefê e o Marquinhos estão bem também?
-- Sim, eles estão com muitas saudades do senhor e de seus pais.
-- Nós também estamos, Sra. Judite.
-- O meu marido viajou ontem e ficará uma semana em Brasília. Por que não traz seus pais aqui.
-- Isso poderá trazer consequências ruins à senhora.
-- O convite não é só meu, Sr. André. Nossos pais estão de acordo também. Eles tiveram uma discussão assim que vocês saíram daqui naquela noite, e a relação entre nós está muito abalada ainda. Ficaria imensamente grata se o senhor trouxesse seus pais aqui.
-- Obrigado, Sra. Judite! Reservarei quartos no Hotel da Orla. É lá que nos hospedaremos e é lá que eu gostaria de receber as crianças, a senhora, e vossos pais.
-- Quando pretendem vir?
-- Amanhã, estaremos por aí.
-- Avisarei meus pais e meus sogros. Eles ficarão muito felizes.
-- Obrigado, e até amanhã, então. Assim que chegarmos, telefonarei à senhora.
-- Está bem, Sr. André! Até amanhã!
Chorei. Peguei o telefone várias vezes para comunicar a meus pais, mas desisti. Fui à casa deles e dei a boa-nova ao vivo e em cores.
-- Mãe e pai! Amanhã vamos visitar as crianças e ficar com eles até segunda-feira.
-- Ai, Meu Deus!! – gritou alegremente minha mãe – Eu estava sentindo que alguma coisa boa ia acontecer.
-- Amanhã, passarei logo após o almoço. Ficaremos no Hotel da Orla.
-- Sim, filho! É bom não darmos trabalho a ninguém e, além do mais, teremos mais liberdade.
-- Essa é a ideia! Vou ao shopping comprar uns presentinhos para eles.
-- Vá sim, filho!
-- Querem vir comigo?
-- Não, filho! Prefiro ficar aqui, arrumando as malas.
Dei um beijinho nos dois.
-- Até amanhã!
Passeei, feliz, pelo shopping (coisa rara, porque não gosto de shoppings). Cada presente que comprava, enxergava o rostinho feliz de cada um. Levei as compras para o carro e fui embora.
Como já era final de tarde, resolvi passar no restaurante para o happy hour com a turma.
-- Que cara de bobão é essa, André? – perguntou-me Tatá.
-- Amanhã meus pais e eu iremos visitar meus pequenos.
-- Cara!! Que legal!
-- O seu xará permitiu, André? – perguntou-me seriamente Deley.
-- Não exatamente. Ele viajou. O convite partiu dos pais deles e a Sra. Judite me comunicou, por telefone.
-- Então, tome cuidado, André!
-- Ué! Por que devo tomar cuidado, Deley?
-- Porque ele pode ter armado alguma pra você.
-- Está pressentindo algo, Deley? -- perguntou-lhe Tatá, preocupado.
-- Assim que vi você estacionando o carro, enxerguei uma imagem. Quem estará no carro com você, além de seus pais?
-- Apenas nós três, Deley!
-- Haverá mais alguém dentro do carro.
Entrou em transe, ali mesmo à mesa do restaurante. Depois, ergueu os olhos e me disse que eu seria parado na estrada e um homem entraria no carro. Fiquei assustado. Eu não colocaria em risco meus pais. Deley pressentiu.
-- Descreva o homem, Deley! – pediu Tatá.
-- É um policial rodoviário, moreno, baixo. Você dará carona a ele assim que passar pelo pedágio da Imigrantes. Seu carro será parado por policias rodoviários, que pedirão a você que dê uma carona a esse homem até o Guarujá. Sua reação será imediata, André, dizendo aos policiais que o seu destino não é o Guarujá. Eles insistirão porque sabem quem é você.
Abaixou novamente os olhos e, depois de alguns segundos, reergueu-os novamente e completou:
-- Troque de carro com sua irmã ou vão de ônibus, que nada disso ocorrerá.
-- É isso, André! Troque de carro com sua irmã. Deixe o seu com ela e vá com o dela ao Guarujá. – disse-me Tatá.
Deley voltou do transe.
-- O que decidiu, André? – perguntou-me.
Peguei o telefone e liguei para minha irmã. Expliquei-lhe o motivo e ela aceitou fazer a troca.
-- Farei a troca, Deley!! Muito obrigado, meu amigos!!
Despedi-me deles, levantei-me e fui embora. Na manhã seguinte, fiz as trocas de carro, com os presentes e mala de viagem.
Às 13h, eu já estava na casa dos meus pais. Quando viu o carro da filha, meu pai perguntou o motivo.
-- Meu carro está falhando a partida. Troquei com ela, para não perdermos essa chance de ficar com os pequenos. Ela pedirá ao mecânico para verificar o carro e consertá-lo.
-- Tive um pesadelo essa noite.
-- O que sonhou, mãe?
-- Sonhei que fomos parados pelos policiais rodoviários, logo depois do pedágio. E eles não nos deixaram seguir viagem.
Arrepiei-me. Minha mãe é médium e morre de medo de desenvolver-se espiritualmente. Às vezes, tem bons pressentimentos, mas tem ruins também.
-- Nada de ruim acontecerá, mãe! Ajeite-se aí e durma um pouquinho. Quando acordar, já estaremos à porta do hotel.
Assim que passamos o pedágio, vi, do lado direito, no acostamento, três policiais acenando para um carro, idêntico ao meu. Um deles era moreno e baixo.
Chegamos ao Guarujá.
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