quinta-feira, 7 de maio de 2009

Continuação...

Telefonei ao casal.

-- Boa tarde, Sra. Judite! – É o André.

-- Boa tarde, Sr. André!

-- A minha mãe está aí, Sra. Judite?

-- Sim, está arrumando a sala de brinquedos. O senhor não sabia que ela tinha vindo para cá?

-- Ninguém sabia, e estamos preocupados. Já estou indo ao Guarujá. Não a deixe sair daí, por favor. Se ele quiser sair para fazer alguma compra, eu peço que a senhora vá junto também.

-- Está bem, Sr. André!

Em 70 minutos, eu já estava no portão da casa deles, no Guarujá.

-- Fez boa viagem, xará?

-- Não tão boa... estou preocupado, André!

-- Eu entendo. Estamos preocupados também. Não exatamente com a sua mãe, mas na interferência dela na vida das crianças.

-- O que está querendo dizer? Vá direto ao ponto.

-- Estou tentando dizer-lhe que não queremos mais seus pais aqui em nossa casa. Meus filhos têm avós. Sua mãe está prejudicando a relação das crianças com os nossos pais.

-- Sr. André! Está sendo radical. Tudo aconteceu de repente. Não pode proibir a visita dela. Eu concordo que deve haver um espaçamento entre uma visita e outra, a fim de que nossas crianças se acostumem com a presença e os carinhos de seus pais.

-- Nossas crianças?

-- Sim! Queira ou não, sempre me dirigirei a eles como minhas crianças, meus pequenos. Quando eles tiverem 50 anos idade, eu direi, de onde eu estiver, “Que saudades de meus pequenos! Foram bem criados pelos pais, André e Judite; amados por seus avós, e eternizados por mim”. Ou será que o senhor vai me proibir, vai me processar depois de morto?

-- O fato é que não quero mais seus pais aqui ou em qualquer outro lugar. Deixe-me fazer uma pequena correção: eu não quero mais ninguém aqui, nem você, seja em aniversários ou qualquer outra data comemorativa.

-- Está se valendo de sua profissão?

-- Se eu precisar recorrer a ela, farei isso.

-- A sua senhora tem a mesma opinião?

-- Isso não lhe interessa!

-- Onde está a minha mãe?

-- Foram os quatro passear na orla. Daqui a pouco estarão aqui.

-- Bem! Eu farei isso, André! É uma decisão só sua. Nem sua esposa nem seus pais compartilham dessa opinião absurda. Isso é próprio de gente sem caráter, que não cumpre sua palavra. Para mim, você não tem hombridade, é um pobre coitado da vida, bem pior que qualquer morador de rua, um trapo de gente.

-- O senhor está em minha casa. Meça suas palavras!

-- Vamos lá pra fora! Continuarei dizendo isso e mais um pouco.

-- Não estou aqui para ouvir desaforos de um derrotado.

-- Dizem, moleque, que “a vida dá voltas, que as pedras se reencontram”. Hoje, rapaz, você está bem. Amanhã, eu rezarei para você estar melhor.

-- Você rezará por mim? – perguntou-me, rindo.

-- Claro que sim! Afinal, meus pequenos precisam de você. – respondi-lhe, com um sorriso irônico.

-- Seus pequenos? Quem?

-- Oras, os meus filhos, a Fefê e o Marquinhos! Quem mais? – eu ria muito, com o objetivo de provocá-lo.

-- Aquela porta ali – apontou-me a porta da sala – é a da rua. É serventia de casa. Saia daqui agora!

-- Sairei, mas quero que saiba que você me verá muitas vezes aqui no bairro.

-- Saia daqui! – ordenou, gritando.

-- Abaixe o tom de sua voz, porque não sou seu subordinado e muito menos o policial de merda que você é – disse com o em dedo em riste no rosto dele – O julgamento que estou tendo de você é péssimo e me preocupa mais. Se eu souber, que você agride fisicamente meus pequenos, eu enfiarei uma bala na sua testa.

-- É uma ameaça?

-- Não! É uma promessa.

Saí da casa.


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