Pescaria em alto-mar
Saímos às 4h de um pier em São Vicente. Era a minha primeira pescaria em mar aberto. E a de meu concunhado, Miltom, também.
Achava que, em minha vida anterior, eu tinha sido um marinheiro, tal a minha paixão por mar e rios.
Miltom nunca havia navegado e estava com medo de passar mal. Para acalmá-lo, disse-lhe que, se começasse a ter enjôos, que olhasse para o céu ou para as pessoas do barco, menos para o mar.
A lancha era pequena, o motor a diesel. Havia uma cama, na parte de baixo, abaixo do nível da água do mar. Um lugar apertadíssimo.
TU TU TU TU -- fumaceira - TU TU TU TU TU TU (esse era ritmo do motor a diesel que, vez em quando, parava, soltava muita fumaça, e depois continuava com o TU TU TU)
Enquanto navegávamos em direção ao atol, estava tudo bem. O vento batia em nossos rostos, a manhã estava quente e agradável, os prédios do litoral já sumiam no horizonte. Três horas depois, chegamos. No meio do nada, muita água, céu azul e um sol escaldante.
O capitão lançou a âncora e, pelo tamanho, achei que o barco afundaria junto. Pensei que, uma vez apoitado, parado, o capitão desligaria o motor. Mas não. Tinha que permanecer ligado, para não corrermos o risco de não funcionar depois.
Você sabe que, uma vez parada, a lancha fica à mercê das ondas. Como estava apoitada, com a âncora ao fundo, o barco subia e descia, de acordo com as ondas; virava para direita e para a esquerda, de acordo com a correnteza.
Subia, descia, direita e esquerda, subia, descia, esquerda, direita.
Olhei para o Miltom. Estava todo feliz, colocando isca no anzol.
Subia, descia, direita, esquerda, descia, subia, esquerda, direita, TU TU TU, um cheiro desgraçado de diesel queimado, Miltom pescando, eu vomitando.
Resolvi deitar um pouco na proa. Olhei no relógio: quase 8h. O sol já estava matando. Precisava ir para um lugar coberto, senão assaria ali. Sentei-me. Olhei em volta. O único lugar coberto era do capitão.
Sucia, debia, diquerda, esquereita, debia, sucia, esquereita, diquerda, UT UT UT, diesel queimado em minhas narinas, Miltom comendo um sanduíche de mortadela, eu vomitando, todo mundo rindo da minha cara.
Olhei no relógio: 08h05. O tempo não passava. O retorno estava marcado para as 17h. Eu não suportaria, certamente.
Rolei da proa e fui engatinhando até a parte de baixo.. fui pra cama. Que cheiro horrível lá embaixo... de peixe podre, de mortadela, de diesel queimado. Voltei à proa.
A essa altura eu já era a pessoa mais importante do barco. Toda vez que iria vomitar, me chamavam pra "cevar" onde estavam pescando. Cambada de fdp. Eu tentava olhar para o céu, mas já não sabia o que era céu e o que era mar.
Improvisei, a muito custo, uma cobertura. Quando me sentia bem, ora sentava ora levantava.
Sude, ciabia, dies, querda-quereita, desu, biacia, quererda-quereita, TOIM TOIM TOIM, cheiro gostoso de diesel queimado, Milton chupando laranja, eu acabado.
Por volta das 10h, a pescaria tornou-se fraca... os peixes não estavam mais a fim de comer as iscas. Graças a Deus!! Decidiram voltar. Já tinham pescado muito.
Nunca fiquei tão feliz em minha vida, quando pisei na areia. Fiquei mareado por dois longos dias.
É claro que em minha vida anterior nunca fui मरिन्हेइरो
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