Amigos universais.
Tatá, amigo “top de linha”. Empresário, sócio de Nardinho. Bom baiano, pessoa tranquila, aprazível, alegre, sempre disposto a uma boa conversa, mas não ouse abusar de sua boa vontade.
Passou a infância e parte da juventude no interior de São Paulo e conserva até hoje a mesma humildade da tradição de famílias e costumes interioranos. Quando faleceu Francisco Matarazzo, Tatá, já morando na capital, fez questão de acompanhar o cortejo fúnebre, da Av. Paulista até o cemitério, em sua bicicleta. Chorou e orou à pessoa que ele nunca tinha visto em vida.
Anos mais tarde, sofreu um grave acidente de carro e foi levado à Santa Casa de São Paulo, onde, já em estado crítico, permaneceu na Ala Matarazzo. E ali foi curado.
Coincidências à parte, Tatá goza perfeita saúde até hoje.
Mesmo nos momentos de descontração, após um intenso dia de trabalho, há instantes em que desejamos sossego, curtir a cervejinha calado, sem que ninguém venha nos perturbar. Isso vale para todas as pessoas que frequentam lugares públicos.
Estávamos no Toy Restaurante, do amigo Dilso. Parte de nosso grupo, em pé no balcão; outros, sentados numa mesa em frente. Numa mesa mais distante, estavam três pessoas, conversando e bebendo muito. Um deles eu conhecia: um pedreiro, a quem nomearei João.
João é um trabalhador muito requisitado para pequenas obras em casas da região. Sistemático no trabalho, detalhista ao extremo, realiza seu trabalho com perfeição. O difícil é entender o que ele fala, atropela sílabas, junta palavras com outras. Quando bebe, é impossível entendê-lo. Torna-se também chato demais, como qualquer outro bêbado. No estado etílico, não se satisfaz enquanto não paga uma bebida a conhecidos.
Naquela noite, João estava extremamente chato. Insistiu em pagar uma cerveja ao Tatá, que recusou. A partir daí, iniciou-se uma discussão.
-- Vrocêtemolrreinabarriga, seumetido!Tápensandoquinãosouomi? – perguntou o enrolado João, nervoso, olhando fixamente para Tatá.
Para evitar uma briga, Tatá virou-se para o balcão, mas a expressão de seu rosto já não era das melhores. Nossa turma percebeu isso, e Deley levantou-se, a fim de acalmar o pedreiro.
-- João! Vá pra sua casa! Estamos aqui conversando. Se Tatá não quis que você pagasse a cerveja, é porque ele não acha justo que você desperdice o que ganha com tanto esforço.
-- Divrocê,doAndé,ditodoseugostosónãogostodessefrilhodaputa.
Tatá ouviu com clareza a última expressão: “frilho da puta”, e voltou-se a João.
-- De que que você me xingou aí? Seu cueca suja de meeeeeeerda!
Tatá deu-lhe um abraço que João nunca mais esquecerá na vida, de tanta dor que sentiu. Pegou sua maleta e foi embora.
Depois disso, nunca mais vi João.
XXXXXXXXXXXXXXX
Assinar:
Comentários (Atom)
