quarta-feira, 29 de abril de 2009

Do Convento ao amor incondicional.

Ao dirigirmo-nos a nossos carros estacionados do lado de fora do Convento, todos os parentes do casal se emocionaram. Não teve um que não chorasse naquele momento.

Adoção é o Amor incondicional, verdadeiro, recíproco, há vida transparente, carregada de sentimentos puros, sem interesse, uma lição de vida a muitos que O trocaram pelo materialismo, pela vida desregrada, pelo poder, pela ambição, pelo egoísmo.

Os avós não se contiveram e aproximaram-se.

-- Aqui está seu neto, Sr. João!! – disse Sr. André, entregando Marquinhos aos braços do sogro.

-- Aqui está sua neta, Sr. Abílio!! – disse Sra. Judite, entregando Fefê aos braços do sogro.

-- Fefêeeeeeeeeee!!! São nossos vovôs e vovós!! – gritou Marquinhos, abraçando carinhosamente e beijando o rosto de seu avô, que chorava feito criança.

-- Meu neto será um policial rodoviário!!

-- Calma lá, João!! Seu neto não... NOSSO neto!! – bronqueou Sr. Abílio, em tom de brincadeira. -- E trate de passá-lo para os meus braços agora!

Os parentes avançaram também. As mulheres rodearam a Fefê. Cada homem que pegava Marquinhos, lançava-o para cima e pegava-o de volta. O menino ria muito. Estava feliz.

-- Bom, gente! – disse Sr. André – Vamos todos ao cemitério.

Cada um entrou em seu carro. O comboio seguiu em direção à rodovia, onde os dois policiais motorizados aguardavam a comitiva. Assim que nos avistaram, ligaram a sirene. De meu carro, eu via os meus pequenos pulando no banco detrás, vibrando com a festa de sirenes e buzinaços.

Ao passarmos novamente pelo posto da polícia rodoviária, ao comboio juntaram-se duas viaturas e, em formação de honra, uma viatura seguiu à frente, uma moto de cada lado do casal com as crianças, e a outra viatura, atrás do último carro.

A 1km do cemitério, cessaram a sirene e o buzinaço.

Sr. Agenor, funcionário administrativo do cemitério, recepcionou a todos, levando-nos até as covas rasas, onde estava a família biológica de Marquinhos. Sra. Judite e as avós entregaram-lhe ramalhetes.

O menino depositou as flores, ramalhete por ramalhete, em cada uma das covas, chorou e disse, quase sussurrando, que sentia muita saudade deles. Depois, ajoelhou-se e rezou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, sendo acompanhado por todos que lá estavam. Enxugou as lágrimas, levantou-se e veio em minha direção, com os braços levantados. Peguei-o no colo.

-- Titio! Quero rezar também para a minha irmãzinha.

-- Claro, Marquinhos! Você já depositou flores para ela também e...

-- Não, titio! Para minha irmã eu já rezei. Quero rezar para a minha outra irmãzinha.

-- A Fefê?

-- Não, titio! A minha irmãzinha, a sua filha. – fixou o olhar em meus olhos, sorrindo um choramingo.

Rezamos, chorando.

Ao sairmos, cada convidado que lá estava, depositou também flores nas covas.

E voltamos aos nossos carros.


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