sábado, 25 de abril de 2009

No Guarujá.

Cheguei à casa do Sr. André e de Sra. Judite e fui recebido como membro da família, não só pelo casal mas também por seus pais e irmãos.

A casa é térrea. Possui uma boa área de quintal, entre o portão e a agradabilíssima varanda. Entre a sala e a cozinha, há um extenso corredor. Neste, as entradas de cada quarto: o dos pais, o da Fefê e o do Marquinhos, devidamente nomeados na porta com plaquinhas de madeira e à espera deles, mobiliados e decorados pelas avós.

No fim do corredor, chega-se à copa e à cozinha. No fundo, há outro quintal, bem maior e com árvores típicas do litoral. Há também uma edícula, com três cômodos: banheiro, um escritório e uma “brinquedolândia”, chamado assim, carinhosamente, pelos futuros pais.

O almoço de confraternização, entre as famílias e eu, foi um deliciosa feijoada. Os futuros avós não conseguiam esconder a felicidade e estavam ansiosos por conhecerem as crianças. Pediam que eu contasse a eles como tinha sido o meu primeiro encontro com a Fefê e com o Marquinhos.

Saí de lá à noite, às 20h, e fui ao hotel na Praia Grande. Antes de me recolher ao quarto, passei no quiosque para cumprimentar o meu grande amigo Marmitão.

-- Tudo bem, santista?

-- Tudo ótimo, Marmitão! Estou chegando agora do Guarujá. Fui almoçar com os futuros pais da Fefê e do Marquinhos.

Marmitão levantou-se, visivelmente emocionado, com os olhos encharcados de lágrimas, e entrou no quiosque. De onde eu estava, ouvia claramente seus soluços e voz, embargada, agradecendo a Deus o destino dos meus pequenos. (*)

Havia casais e grupos de amigos em outras mesas que não entenderam o que se passava naquele momento; Marmitão, soluçando dentro do quiosque; eu, chorando, na mesa. Entenderam menos ainda, quando Marmitão saiu e veio me abraçar, prometendo a todos uma festa no sábado seguinte, com cinco engradados de cerveja, gratuitos.

-- Assim você irá à falência, Marmitão!

-- É minha promessa e a cumprirei.

Despedi-me, emocionado, de meu amigo e voltei ao hotel.

Na cama, eu não conseguia dormir. Ficava imaginando a reação de Marquinhos quando soubesse que seria adotado junto à irmã. De acordo com o casal, a adoção foi selada e confirmada, durante a semana. Pediram às irmãs que não contassem a Marquinhos. Ele saberia apenas no domingo, quando eu estivesse presente, e antes de irmos ao cemitério.

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