terça-feira, 7 de abril de 2009

Praia – o quiosque।

Agendei, na segunda-feira de manhã, minha visita ao convento para o domingo seguinte.
Foi uma semana demorada: as horas, os dias não passavam, as noites eram mal dormidas.
Finalmente, sexta-feira! O dia amanheceu preguiçoso, o sol brigou com as nuvens, durante toda manhã para aquecer-nos, único, completo e vencedor, na parte da tarde.
No final da tarde, viajei ao litoral.
Depois de me acomodar no mesmo hotel, fui ao quiosque.
-- Boa noite! Cadê seus filhos, amigo? – perguntou-me o dono do quiosque.
-- Boa noite! Eles não são meus filhos, infelizmente. – respondi com um sorriso amarelo entre os lábios.
-- São seus sobrinhos?
-- Nenhuma afinidade familiar. São crianças órfãs que moram no convento, ao pé da montanha. Estou aqui para visitá-los no domingo.
-- O Convento da Luz?
-- Sim.
-- Eu conheço. É um lugar de muita paz. Muitos estrangeiros vêm para cá, com a finalidade de adotar as crianças de lá. Os que não são adotados, permanecem no convento. Estudam e recebem boa educação. Muitos optam pela formação religiosa e tornam-se padres e freiras.
-- Será a primeira vez que irei lá.
-- Se está pensando em adoção, acho melhor o senhor trazer, numa outra vez, a sua esposa.
-- Sou divorciado.
-- Homens solteiros não podem adotar crianças. Mas isso o senhor ficará sabendo lá dentro. Gostaria de beber algo, santista?
Sou torcedor do Santos F.C. Eu estava com a camisa de meu time.
-- Cerveja, por favor!
Fiquei pensando nas palavras daquele homem. Eu nunca tinha pensado em casar-me outra vez. Além de rever as crianças, minha intenção era a adoção.
-- Posso sentar-me à sua mesa, santista? – perguntou-me o dono do quiosque.
-- Claro, amigo!
-- Meu nome é Raimundo, mas meus amigos me chamam de Marmitão.
Não pude deixar de rir. Foi uma gargalhada gostosa, talvez a primeira em uma semana.
-- Meu nome é André! Então o senhor é o Marmitão? Come a que aparecer...
-- Sendo rabo-de-saia, qualquer uma que me dê bola.
-- (risos)
-- Santista! Se te perguntarem lá no convento se é casado, responda que sim. Homens solteiros não são muito bem vistos nem bem recebidos.
-- Não tenho nem namorada.
-- Se quiser te arrumo uma ninfeta de 45 anos.
-- Ninfeta? (risos)
-- É uma boa moça, separada, caçando casamento.
-- Eu direi a verdade lá no convento. Uma mentira poderá ser um obstáculo no futuro.
-- Entendo, santista! Mas a verdade poderá também ser a sua porta de saída e a proibição de novas visitas.
-- Eu tenho duas amigas que nutrem sentimentos verdadeiros por mim. Elas sabem que não tenho amor por elas, mas acredito que uma delas estaria disposta a se casar comigo. Depois pensarei nisso com mais calma.
-- Se precisar de mim, ficarei feliz em te ajudar, santista!
-- Obrigado, Marmitão!
-- Vamos mudar de assunto... amanhã, o noivo de minha filha fará um churrasco aqui no quiosque. É uma espécie de despedida de solteiro. Eles se casarão daqui a duas semanas.
-- Puxa, que legal!! Parabéns, Marmitão!
-- Eu gostaria de que você estivesse aqui também. Será o meu convidado. Churrasco e bebidas gratuitas aos convidados. Os bicos pagarão.
-- Sinto-me lisonjeado! Estarei aqui sim.
-- À noite, prosseguiremos com a despedida de solteiro, numa boate em Santos.
-- À noite eu estarei na cama do hotel. Quero chegar inteiro ao convento e sem bafo de álcool.
-- Você tem toda razão, santista!!
No dia seguinte, conheci toda a família do Marmitão, a família do noivo e todos os amigos que moram na região. Pessoas humildes, educadas, engraçadas, solidárias. Havia muitas crianças também. Foi verdadeiramente uma festa maravilhosa.
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